segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Ser amigo do Céu

O salmo de meditação que repetimos por várias vezes - “Louvai o Senhor, que eleva os pobres!” - é uma resposta à primeira leitura retirada do livro de Amós, no qual o Senhor se inquieta, pois não deseja ver o pobre sendo tratado com injustiça, mas ao contrário, Ele ama o pobre. A última estrofe do salmo diz: “Levanta da poeira o indigente e do lixo ele retira o pobrezinho, para fazê-lo assentar-se com os nobres, sentar-se com os nobres do seu povo ”. É assim que o Pai das misericórdias trata Seus filhos, com justiça e amor. 

Vimos, na segunda leitura, que São Paulo escreve a Timóteo: “recomendo que se façam preces e orações, súplicas e ações de graças por todos os homens, pelos que governam e por todos que ocupam altos cargos, a fim de que possamos levar uma vida tranquila e serena com toda piedade e dignidade”. É isso que o Senhor quer de nós, que sejamos homens e mulheres de oração. O“recomendar” significa, na língua original, uma voz de comando: “Eu quero!”. 

:: Ouça, na íntegra, a homilia

O Senhor está nos falando a respeito de oração e devoção à Divina Misericórdia, a qual nos ajuda a sermos pessoas de oração. Ricardo Sá, deu-nos, pela manhã, essa pista em sua pregação: “O Senhor quer que rezemos e que usemos de misericórdia para com os outros”. 

Hoje, tivemos mais um atentado aos cristãos em um país em que eles representam apenas 0,05% da população. Aconteceu que um carro-bomba  foi detonado ao fim da Santa Missa. Até onde se sabe, mais de 60 pessoas morreram. Sabemos bem que o mundo não quer saber de cristãos, pois para eles ser cristão é crime. Estes que morreram são mártires. É preciso que esses povos tenham a liberdade de serem cristãos. 

"Que amizade você tem cultivado com seu anjo da guarda?" Monsenhor Jonas Abib
Foto: Natalino Ueda/cancaonova.com


São os nossos irmãos que estão precisando. Bombas como essas também caem sobre nossas casas: bombas do adultério, onde tanto o esposo quanto a esposa estão se traindo. Há bombas de filhos que entram para as drogas; o alcoolismo está criando também seus estragos. Pais de família estão ficando completamente embriagados. Isso é um desastre! Talvez, em sua casa, estejam acontecendo atentados como esses e é por isso que o Senhor nos convida a rezar.

Não sejamos egoístas! Nossa casa precisa de oração, mas rezemos também pelos outros irmãos. Famílias sendo estragadas, pois já não há mais Deus como centro de sua vida. Não existem mais princípios ou valores.

Essa corrupção de uma família para outra é como um vírus que faz com que as doenças se proliferem. Volto a lembrar da palavra “recomendo”, pois esse é o desejo do Senhor, que nos recomenda a uma vida de oração.

São Paulo ainda diz: “Isto é bom e agradável a Deus, nosso Salvador; ele quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade”, por isso, rezemos para que a Divina Misericórdia caia sobre as famílias e sobre os que estão sendo perseguidos.

No Evangelho, o Autor Sagrado fala do administrador que foi descoberto por seu patrão por agir de maneira desonesta. Sabendo que seria chamado por seu patrão, pensa: “O que vou fazer? Para cavar, não tenho forças; de mendigar, tenho vergonha. Ah! Já sei o que fazer para que alguém me receba em sua casa quando eu for afastado da administração’. Para nossa surpresa, Jesus disse que aquele patrão elogiou o administrador desonesto, pois agiu com esperteza, por isso disse: “Com efeito, os filhos desse mundo são mais espertos em seus negócios do que os filhos da luz”. Nós precisamos ser espertos. É com essa linha de raciocínio que nos exorta a sermos espertos para ganhar o Céu.

Jesus ainda disse: “Fazei amigos, pois, quando acabar, eles vos receberão nas moradas eternas”, ou seja, são amigos do céu. Em primeiro lugar, sejamos amigos do Pai das misericórdias. Sejamos amigos e busquemos a misericórdia que vem do Senhor.

Jesus veio para ser a misericórdia do Pai, dando a nós todo o Seu Sangue e morrendo por nós. Deu-se por inteiro, desde o seu nascimento, em sua evangelização, ao ser condenado, tomando a sua cruz e ainda gritando ao Senhor: “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonastes?”. A última coisa que Ele tinha nos deu: o Espírito Santo. Foi por isso que o Pai quis que Ele se manifestasse a Santa Faustina.

Graças a Deus, durante todo o acampamento, pudemos ler, por várias vezes, trechos do Diário de Santa Faustina. Ela se dizia a “secretária de Jesus”, e foi tomando nota de todas as palavras que o Senhor lhe ditava. Busquemos a amizade com a misericórdia e ainda com Jesus Misericordioso. Ele é nosso amigo, pois nos disse que não somos para Ele mais servos, mas somos Seus amigos! Cultive a amizade com Jesus. Eu e você precisamos ser grandes amigos de Cristo.

"Jesus é a Palavra viva!", disse monsenhor Jonas Abib
Foto: Natalino Ueda/cancaonova.com

Os santos padres nos mostram que Jesus se manifesta a nós de duas formas: na Eucaristia e na Palavra, ou seja, Jesus-Eucaristia e Jesus-Palavra. A Igreja de Rito Oriental tem uma altar da Palavra com uma luz acesa, da mesma forma que nós temos a luz do sacrário. Jesus é a Palavra viva. É isso que nos alimenta e faz com que tenhamos uma verdadeira amizade com Ele.

Dentro da oração temos a adoração. Precisamos, pessoalmente, adorar ao Senhor não somente no ostensório, mas também no sacrário que existe em várias paróquias. Precisamos aprender a adorar. Usemos bem o nosso tempo em estar diante de Jesus em adoração, seja nos pensamentos ou com palavras.

Vamos cultivar amigos no Céu, que são os santos de devoção. Se você ainda não tem um amigo no Céu, procure um. Quais são os seus amigos santos? Cultive a amizade com eles. Eles querem ser nossos intercessores, façamos, pois, aquilo que nos pede o Evangelho: “Fazer amigos, pois, quando acabar, eles vos receberão na morada eterna”.

Os anjos também são nossos amigos, como o nosso anjo da guarda. Que amizade você tem cultivado com seu anjo da guarda? Ele é um amigo do Céu e você precisa dele, pois ele o receberá nas moradas eternas.

Seja amigo de Nossa Senhora, ela é mãe de Jesus, foi ela quem deu corpo e sangue a Jesus. Ela é a nossa mãe, pois o próprio Jesus nos entregou por meio de João. O discípulo tornou-se a companhia de Maria, assim como ela também foi a companhia de João. Esse é o relacionamento que temos que ter com a Nossa Mãe. Reze o santo terço, pois é uma forma de cultivarmos a amizade com Nossa Senhora. Se a tivermos como amiga, ela será nossa advogada no Céu.

Transcrição e adaptação: Luana Oliveira

Veja um trecho da homilia:


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Monsenhor Jonas Abib 
pejonas@cancaonova.comFundador da Comunidade Canção Nova e Presidente da Fundação João Paulo II. É autor de diversos livros.


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22/09/2013 - 15h00



sexta-feira, 13 de setembro de 2013

“O cristão renuncia a todos os bens, pois encontrou o Bem Maior”


Seguem as palavras do Papa Francisco pronunciadas neste domingo, 8 de setembro, diante da multidão de fieis reunidos na Praça de São Pedro para rezar o Angelus:
No Evangelho de hoje, Jesus insiste sobre as condições para ser seus discípulos: nada antepor ao amor por Ele, carregar a própria cruz e segui-Lo. Muitas pessoas de fato se aproximavam de Jesus, queriam estar entre os seus seguidores, e isso acontecia especialmente depois de algum sinal milagroso que o convalidava como o Messias, o Rei de Israel. Mas Jesus não quer iludir ninguém. Ele sabe o que o espera em Jerusalém, qual é a estrada que o Pai lhe pede para percorrer: é o caminho da cruz, do sacrifício de si mesmo para a remissão dos nossos pecados. Seguir a Jesus não significa participar de uma procissão triunfal! Significa compartilhar o seu amor misericordioso, entrar em sua grande obra de misericórdia por cada homem e para todos os homens. A obra de Jesus é exatamente uma obra de misericórdia, de perdão, de amor! Jesus é tão misericordioso! E este perdão universal, esta misericórdia, passa pela cruz. Jesus não quer cumprir essa obra sozinho: Ele quer nos envolver na missão que o Pai lhe confiou. Depois da ressurreição dirá aos seus discípulos: Como o Pai me enviou, assim também eu vos envio a vós (…) Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados (João 20,21.22). O discípulo de Jesus renuncia a todos os bens porque encontrou Nele o Bem maior, no qual qualquer bem recebe valor pleno e significado: os laços familiares, outros relacionamentos, o trabalho, os bens culturais e econômicos e assim por diante... o cristão desprende-se de tudo e reencontra tudo na lógica do Evangelho: a lógica do amor e do serviço.
Para explicar esta exigência, Jesus usa duas parábolas: a da torre a ser construída e a do rei que vai para a guerra. Esta segunda parábola diz: “qual é o rei que, estando para guerrear com outro rei, não se senta primeiro para considerar se com dez mil homens poderá enfrentar o que vem contra ele com vinte mil? De outra maneira, quando o outro ainda está longe, envia-lhe embaixadores para tratar da paz” (Lc 14,31-32). Aqui Jesus não quer lidar com o tema da guerra, é apenas uma parábola. Mas neste momento em que estamos fortemente rezando pela paz, esta Palavra do Senhor nos toca, e nos diz que há uma guerra mais profunda que devemos combater, todos! É a decisão forte e corajosa de renunciar ao mal e suas seduções e escolher o bem, pronto para pagar em pessoa: eis o seguir a Cristo, eis o tomar a própria cruz! Esta guerra profunda contra o mal! Para que serve a guerra, tantas guerras, se você não é capaz de fazer esta guerra profunda contra o mal? Não serve para nada! Não dá... Isso envolve, entre outras coisas, esta guerra contra o mal comporta dizer não ao ódio fratricida e as mentiras de que se serve; dizer não à violência em todas as suas formas; dizer não à proliferação de armas e seu comércio ilegal. Exige muito! Exige muito! E sempre fica a dúvida: essa guerra lá, essa outra ali - porque há guerras por toda parte - é realmente uma guerra por problemas ou é uma guerra comercial para vender armas no comércio ilegal? Estes são os inimigos a serem combatidos, unidos e com coerência, não seguindo outros interesses senão o da paz e do bem comum.
Queridos irmãos e irmãs, hoje também recordamos a Natividade da Virgem Maria, Festa particularmente cara para as Igrejas Orientais. E todos nós, agora, podemos enviar uma saudação a todos os nossos irmãos, irmãs, bispos, monges, freiras das Igrejas Orientais, Ortodoxas e Católicas: uma bela saudação! Jesus é o sol, Maria é a aurora que anuncia o seu nascer. Na noite passada, fizemos vigília confiando à sua intercessão a nossa oração pela paz no mundo, especialmente na Síria e em todo o Oriente Médio. Nós A invocamos agora como Rainha da Paz. Rainha da Paz, rogai por nós! Rainha da Paz, rogai por nós!
(Depois do Angelus)
Queria agradecer a todos aqueles que, de vários modos, aderiram à vigília de oração e de jejum de ontem de noite. Agradeço as várias pessoas que ofereceram os seus sofrimentos por esta intenção. Agradeço as autoridades civis, bem como os membros de outras comunidades cristãs e de outras religiões e os homens e mulheres de boa vontade que viveram, nessa circunstância, momentos de oração, jejum e reflexão.
Mas o compromisso deve seguir adiante: continuemos com a oração e com as obras de paz! Convido-vos a continuar a rezar para que cesse imediatamente a violência e a devastação na Síria e se trabalhe com um esforço renovado por uma justa solução do conflito fratricida. Rezemos também pelos outros países do Oriente Médio, particularmente pelo Líbano, para que encontre a desejada estabilidade e continue a ser um modelo de convivência; pelo Iraque, para que a violência sectária dê lugar à reconciliação; pelo processo de paz entre israelenses e palestinos, para que possa avançar com decisão e coragem. E rezemos pelo Egito, para que todos os egípcios, muçulmanos e cristãos, se comprometam em construir juntos uma sociedade para o bem de toda a população. A busca pela paz é um longo caminho que exige paciência e perseverança! Continuemos com a oração!
Com alegria recordo que ontem, em Rovigo, foi proclamada Beata Maria Bolognesi, fiel leiga, nascida em 1924 e morta em 1980. Passou toda a sua vida a serviço dos outros, especialmente dos pobres e doentes, suportando grande sofrimento em profunda união com a paixão de Cristo. Demos graças a Deus por este testemunho do Evangelho!
Saúdo com afeto os peregrinos presentes, todos! Em particular, os fiéis do Patriarcado de Veneza, liderados pelo Patriarca; os alunos e ex-alunos das Filhas de Maria Auxiliadora; e os participantes da “Campanha Mãe Peregrina de Schoenstatt”.
Saúdo os fiéis de Carcare, Bitonto, Sciacca, Nocera Superiore e das dioceses de Acerra; a Sociedade das Irmãs do Santo Rosário de Villa Pitignano; os jovens de Torano Nuovo, Martignano, Tencarola e Carmignano, e aqueles que vieram com as Irmãs da Misericórdia de Verona.
Saúdo o Coro de San Giovanni Ilarione, as associações "Paz e Alegria" de Santa Vittoria d' Alba e "Calima" de Orzinuovi e os doadores de sangue de Cimolais.
Desejo a todos um bom domingo. Bom almoço e adeus!
© Innovative Media Inc.
Fonte:Zenit  

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Amor e sexo na vida conjugal

A falta de atitude desgasta qualquer relacionamento
Dentre as muitas definições que arriscamos fazer sobre a palavra “amor”, nenhuma delas poderá ser eficaz se não houver o comprometimento das pessoas naquilo que lhes traz a realização mútua.

Algumas pessoas vivem seu relacionamento conjugal de maneira bastante turbulenta, com abusos, violência ou em situações de egoísmo que jamais poderiam ser estabelecidas num convívio, o qual tem como princípio o crescimento comum. Tal relacionamento, se assim permanecer, alcançará uma condição insustentável, fazendo com que um dos cônjuges opte pela separação, ainda que tenham se casado por amor.

Todavia, muitos casos de separação não acontecem somente pelas agressões sofridas por um dos cônjuges. Outras situações podem fazer com que os casais vivam a separação silenciosa, a qual facilmente poderá resultar no rompimento do compromisso conjugal ou permitir a abertura para relacionamentos paralelos, alegando que o amor e o encantamento do início tenham desaparecido entre eles.

Muito se comenta sobre a necessidade de o casal fazer o resgate do romantismo, mesmo tendo acumulado algumas dezenas de anos de vida conjugal. Mas o que eu tenho recebido como resposta é a dificuldade em recuperar tal sentimento devido às muitas “cinzas” surgidas sobre “as brasas” daquele amor que originou o casamento. Isso porque a falta de comprometimento e de atenção às outras queixas – inclusive no que diz respeito à vida sexual do casal – esvaziou-se ao longo do tempo.

 Harmonia conjugal e sexual do casal cristão

Conhecemos as responsabilidades e os compromissos que envolvem a vida conjugal, aquilo que é o prático para a manutenção do lar e da família. Dessas atividades, parece ser prioritário tanto para as esposas quanto para os maridos o cumprimento de seus afazeres estabelecidos como metas do dia, mesmo que para isso eles tenham que aplicar todo seu esforço físico. Dentro dessa dinâmica própria da vida conjugal, os casais podem deixar-se envolver pelas muitas atividades que compreendem o seu dia a dia.

Contudo, é importante para eles se lembrarem de também valorizar outras atitudes que alimentam e fazem a manutenção do amor que desejam nutrir na relação entre homem e mulher, pois, se quando eles eram apenas namorados, foram capazes de fazer todas outras coisas e ainda disponibilizar de um tempo para se prepararem para a (o) namorada (o), hoje as manifestações de carinho para com o cônjuge precisam ter o mesmo grau de importância.

Os momentos de namoro entre os casados não podem acontecer ou serem esperados apenas nas ocasiões de celebração como aniversários de casamento ou em uma viagem, tampouco podem ficar presos a dias específicos da semana.

Se as inúmeras tarefas domésticas, tanto para o marido quanto para a esposa, roubam esses momentos, talvez fosse interessante para os cônjuges incluir, naquilo que é de suas ocupações, também a vivência da intimidade como parte integrante do relacionamento.

A falta de atitude para uma mudança desgasta qualquer relacionamento e, no caso do casamento, poderá minar até mesmo o desejo em trocar beijos mais calorosos ou criar outros momentos de sedução, os quais poderiam propiciar a intimidade.

As bases para esses momentos acontecem quando lembramos que o nosso cônjuge também tem desejos íntimos e espera vivê-los com quem se casou. Vale notar que tal momento, mais que extravasar a libido, deverá ser resultado de outros gestos que ratificam uma união, na qual, seus efeitos extrapolam no tempo e no contato físico. Tudo ganha um novo significado.

Assim, para evitar as famosas escapulidas ou justificativas como o cansaço, a falta de disposição, o sono, a preguiça e a mais conhecida de todas as desculpas – a dor de cabeça – para se esquivarem da intimidade conjugal, o casal optaria por aplicar também para a vida sexual o mesmo grau de interesse com que valorizam suas outras obrigações.

É certo que o trabalho, as obrigações com a família e o lazer são importantes, contudo há uma maneira própria de cada um fazer o cônjuge se sentir sempre o “número 1” como foi em tempos de namoro.

Um abraço!
Foto Dado Moura
contato@dadomoura.com
Dado Moura é membro aliança da Comunidade Canção Nova e trabalha atualmente na Fundação João Paulo II para o Portal Canção Nova como articulista. Autor do livro Relações sadias, laços duradouros e Lidando com as crises
Outros temas do autor: www.dadomoura.com
twitter: @dadomoura
facebook: www.facebook.com/reflexoes

08/08/2013 - 08h00
Tags: amor Sexo sexualidade afetividade casamento matrimônio família casal vida conjugal lar
 

Saiba escolher entre tantas opções

Que bom! Entre tantas coisas que você tem para fazer, encontrou um tempinho de parar e ter contato com a Palavra de Deus. A leitura desse mês está no Evangelho de Lucas 10,38- 42, texto do 16º Domingo do Tempo Comum. Leia o texto, porque ele é curtinho. Você pode lê-lo várias vezes e, no silêncio, deixar que essa Palavra fecunde seu coração. Pare, agora, e escute o Senhor!

Espero que você tenha ido além da obvia pergunta: "Com qual das duas eu me pareço, Marta ou Maria?. podemos aprender com as duas. Jesus está naquela casa como visita, e todos nós fomos educados a darmos toda atenção quando chega, em casa, uma visita. Marta estava muito agitada, porque tinha muitas coisas para fazer, igualzinho a tantos de nós.


Quem centra sua vida nas coisas que precisa fazer, costuma não saber dar prioridade ao mais importante. Entre muitas coisas importantes, existem as principais, e quem não sabe organizá-las corre o sério risco de sempre exigir que os outros sejam e façam como eles. Assim como Marta, reclamam para Jesus de sua irmã Maria. Já percebeu que quem não sabe dar prioridade ao mais importante vive perdendo tempo?

Jesus ajuda Marta a perceber que, entre muitas coisas a fazermos, devemos começar por aquelas que são necessárias. Aqui, nesse Evangelho, a prioridade era ouvir a Palavra de Jesus. Parar para ouvir é a coisa mais rara na vida de alguém que, agitado pelos seus muitos afazeres, nunca pode “perder tempo” ouvindo os outros. Se você já pensou assim alguma vez, provavelmente, também vive agitado com muitas coisas e não saberá receber a visita de Jesus na sua vida.

Marta é uma mulher agitada pela quantidade de coisas para fazer. Muitos homens também são cheios de reuniões, trabalhos e atividades, que nem sobra um tempo para ouvir as pessoas de sua casa, veja lá uma visita que chegue sem hora marcada na agenda.

Agitadas por muitas preocupações, as pessoas estão perdendo a oportunidade de estarem juntas. Quando sobrar um tempo, quem sabe se lembrará de ouvir Deus, isso, é claro, se não tiver nada atrasado para ser feito!

Maria ficou aos pés de Jesus, não porque era preguiçosa ou porque estava fugindo do trabalho, provavelmente ela também estava fazendo alguma coisa; porém, quando Jesus chegou, Maria soube mudar o foco de sua atenção.

Jesus fala no Evangelho: “Maria escolheu a melhor parte”. Isso mostra que ela tinha outras opções, mas soube dar prioridade a estar com Jesus. A vida do cristão não é só oração e contemplação. Saber escolher um momento de parada só para ouvir a Deus vai, certamente, qualificando nossa ação e nos restaurando em tudo aquilo que depois precisaremos fazer.

Jesus ainda diz que a parte que Maria escolheu não lhe será tirada, e essa é uma boa dica para você investir em momentos de oração e escutar o Senhor, pois esse tesouro ninguém pode lhe tirar, a não ser você mesmo se fizer, entre tantas opções, uma escolha diferente da que Maria fez.

Encontre um tempo para ouvir Deus. Ele quer falar com você.


Padre Fabrício
Membro da Comunidade Canção Nova


“Ele enxugará toda lágrima dos seus olhos. A morte não existirá mais, e não haverá mais luto, nem grito, nem dor, porque as coisas anteriores passaram” (Ap 21,4).

Enfrentamos inúmeras situações em nossa história que, com ou sem a nossa autorização, acabam nos trazendo esse terrível sentimento: a decepção. Quem nunca se desencantou com alguém em quem acreditava? Quem já não esperou por realidades que não se concretizaram? Quem já não fez a experiência de não ser correspondido quando amou? A decepção é um sentimento presente na vida humana e nós precisamos aprender a bem administrá-lo.

Em algum momento de nossa história, todos nós nos decepcionamos, todos experimentamos a infelicidade de não nos sentirmos os “prediletos”. Contudo, é preciso compreender que se esse sentimento não for trabalhado e superado, poderá nos marcar com desastrosas consequências.

 O que eu faço com tanta decepção?


A decepção é um profundo veneno e, quando faz morada no coração, tende a nos roubar o entusiasmo, a alegria e o ânimo, além de nos fazer desacreditar da vida e das pessoas em geral. Ela nos leva a pensar que nossas lutas são em vão, roubando, assim, o sentido de nossos esforços e crenças. Por isso, precisamos sempre contra-atacar esse sentimento.

Antes de tudo, é preciso destruir definitivamente alguns chavões: “homem é tudo igual, não leva nenhuma mulher a sério”, “meus namoros nunca dão certo”, “eu não paro em nenhum emprego”, “o casamento é ilusão, na prática não funciona” etc. É preciso romper com a mentalidade negativista que a decepção acaba fabricando em nós.

Não é porque uma mulher viveu uma experiência dolorosa com um determinado homem, que todos eles “não prestam”. Há, sim, homens bons. Não é porque o casamento de algum conhecido (até mesmo o seu) não deu certo, que o casar-se tornou-se uma utopia irreal. Não é porque você se decepcionou uma vez, que irá se decepcionar sempre. Nem todas as pessoas são ruins e falsas.

Não temos o direito de desistir de amar pelo fato de termos vivido experiências difíceis. É preciso não se tornar escravo(a) da decepção, acreditar na vida, na família, nas pessoas, em Deus! É preciso tentar de novo, recomeçar.

Amanhã tudo poderá ser melhor, pois, a cada dia que se inicia, Deus nos dá a oportunidade de reescrever nossa história e, com Ele, poderemos dar cor e vida ao que antes era dor e ausência.

Deus é fiel e, diante das desventuras, Ele estará sempre pronto a abrir novos caminhos para que possamos recomeçar. É preciso acreditar e não parar na decepção. É preciso acreditar e não deixar a doçura presente nos dias se amargar. É preciso acreditar sempre!


(Extraído do livro: "Respostas para o jovem PHN")

Foto Padre Adriano Zandoná

Adriano Zandoná é padre e missionário da Comunidade Canção Nova. Formado em Filosofia e Teologia, é articulista e apresenta o programa “Em sintonia com meu Deus” de segunda a sábado – 6h15min – pela TV Canção Nova.
http://twitter.com/peadrianozcn
http://blog.cancaonova.com/padreadrianozandona


07/08/2013 - 08h00
Tags: decepção sentimento amar alegria animo dor sofrimento acreditar recomeçar

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Papa diz que liberação da droga não é solução para dependência química

Papa Francisco afirmou que é necessário enfrentar os problemas que estão na raiz do uso das drogas

Após a visita ao Santuário de Aparecida, nesta quarta-feira, 24, o Papa Francisco retornou ao Rio de Janeiro, para inaugurar um centro de atendimento para dependentes químicos no Hospital São Francisco de Assis da Providência de Deus. O local iniciará os atendimentos no final do mês, com 40 leitos. Quantidade que deve aumentar até o final do ano.
Uma multidão aguardava o Santo Padre no Hospital e o Pontífice fez questão de cumprimentar a todos. Funcionários, pacientes do hospital podiam se aproximar livremente do Papa para saudá-lo e ele parou para conversar com várias pessoas enquanto se dirigia ao palco instalado no local para o ato de inauguração.
O Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta, saudou o Papa e falou sobre o trabalho que será realizado pelo Polo de Atenção Integral à Saúde Mental (P.A.I.).
Na sequência, dois recuperandos falaram de suas experiências com as drogas e o modo como conseguiram vencer o vício. O Santo Padre acompanhou cada história atentamente, abraçando-os em seguida.
papa_hospital2Logo após, o Papa Francisco fez um discurso, no qual destacou que há muitas situações no Brasil e no mundo que reclamam atenção, cuidado e amor, como a luta contra a dependência química. “A chaga do tráfico de drogas, que favorece a violência e que semeia a dor e a morte, exige da inteira sociedade um ato de coragem”, destacou.
Acesse
:: Leia o discurso do Papa na íntegra

O Pontífice afirmou que, ao contrário do que se discute em várias partes da América Latina, não é liberando o uso das drogas que se conseguirá “reduzir a difusão e a influência da dependência química”.
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Não é liberando o uso das drogas que se conseguirá “reduzir a difusão e a influência da dependência química”, afirmou o Papa Francisco
Segundo ele, “é necessário enfrentar os problemas que estão na raiz do uso das drogas, promovendo uma maior justiça, educando os jovens para os valores que constroem a vida comum, acompanhando quem está em dificuldade e dando esperança no futuro. Precisamos todos de olhar o outro com os olhos de amor de Cristo, aprender a abraçar quem passa necessidade, para expressar solidariedade, afeto e amor.
Entretanto, o Papa salientou, “abraçar não é o suficiente”. “Estendamos a mão a quem vive em dificuldade, a quem caiu na escuridão da dependência, talvez sem saber como, e digamos-lhe: Você pode se levantar, pode subir; é exigente, mas é possível se você o quiser”.
E dirigindo-se aos jovens em tratamento, o Papa disse: “Queridos amigos, queria dizer a cada um de vocês, mas sobretudo a tantas outras pessoas que ainda não tiveram a coragem de empreender o mesmo caminho de vocês: Você é o protagonista da subida; esta é a condição imprescindível! Você encontrará a mão estendida de quem quer lhe ajudar, mas ninguém pode fazer a subida no seu lugar. Mas vocês nunca estão sozinhos!”
"Não deixem que lhes roubem a esperança!"
“Não deixem que lhes roubem a esperança!”
Papa Francisco orientou os jovens a olharem para frente com confiança. “A travessia é longa e cansativa, mas olhem para frente, existe ‘um futuro certo, que se coloca numa perspectiva diferente relativamente às propostas ilusórias dos ídolos do mundo, mas que dá novo impulso e nova força à vida de todos os dias’. A vocês todos quero repetir: Não deixem que lhes roubem a esperança! Mas digo também: Não roubemos a esperança, pelo contrário, tornemo-nos todos portadores de esperança”.
O polo de atendimento trará uma grande contribuição para a cidade do Rio de Janeiro (RJ), onde vivem mais de 600 mil dependentes químicos e apenas 20 leitos disponíveis para atendimento. Atualmente, o Brasil tem dois milhões de dependentes químicos, sendo 50% na região Sudeste.
Depois da inauguração, Francisco irá voltar à residência oficial onde está hospedado no Rio de Janeiro.